O Centro Integrado Mulher Segura (CIMS), em Brasília, recebeu nesta quarta-feira (29) autoridades do governo federal para apresentar as ações desenvolvidas no enfrentamento à violência contra as mulheres. Durante a agenda, foram detalhados os resultados da Operação Mulher Segura, os indicadores nacionais de feminicídio referentes ao primeiro semestre de 2026 e as estratégias de integração entre diferentes órgãos públicos para fortalecer a prevenção, a proteção às vítimas e a responsabilização dos autores de violência. Leia em TVT News.
Participaram da visita o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima e Silva, a primeira-dama Janja Lula da Silva, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, a deputada federal Gleisi Hoffmann e o secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas.
Durante a apresentação, foram divulgados os resultados das duas etapas da Operação Integrada Mulher Segura realizadas neste ano. A iniciativa reúne forças de segurança de diferentes esferas para intensificar ações de proteção às mulheres, cumprimento de medidas judiciais, atendimento às vítimas e campanhas de conscientização em todo o país.
Operação Integrada Mulher Segura
Na primeira fase da operação, realizada entre 19 de fevereiro e 5 de março, foram efetuadas 6.328 prisões. Desse total, 4.548 ocorreram em flagrante, o equivalente a 71,9%, enquanto outras 1.780 resultaram do cumprimento de mandados judiciais. No mesmo período, as equipes realizaram 38.801 atendimentos a vítimas de tentativa de feminicídio e violência e acompanharam 30.388 medidas protetivas concedidas pela Justiça.
A operação mobilizou 40.097 policiais em ações desenvolvidas em 2.615 municípios brasileiros. Também foram promovidas 6.785 campanhas de conscientização voltadas à prevenção da violência de gênero. O investimento federal em diárias para a execução dessa etapa foi de R$ 2,6 milhões.
A segunda fase da Operação Mulher Segura, realizada entre 1º de junho e 27 de julho, apresentou ampliação significativa das ações. Nesse período, foram registradas 15.428 prisões, das quais 12.718 ocorreram em flagrante, correspondendo a 82,4% do total. Outras 2.710 prisões decorreram do cumprimento de mandados judiciais.
As equipes também prestaram atendimento a 578.580 vítimas e acompanharam 29.112 medidas protetivas em todo o território nacional. Ao longo dessa etapa, 58.596 policiais atuaram em 4.379 municípios. Paralelamente às ações de segurança, foram promovidas 7.726 campanhas de conscientização. O investimento destinado às diárias dos profissionais envolvidos chegou a R$ 6,7 milhões.
Divulgação dos indicadores nacionais de feminicídio
Outro destaque da apresentação foi a divulgação dos indicadores nacionais de feminicídio, publicados pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública em conjunto com o Ministério das Mulheres. Os dados fazem parte do Monitoramento Nacional da Violência contra a Mulher, elaborado a partir das informações registradas no Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp VDE).
Diminuição de casos de feminicídio
Segundo o levantamento, o Brasil registrou 741 feminicídios entre janeiro e junho de 2026. O número representa uma redução de 2,5% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 760 casos. Na comparação entre os dois semestres, foram 19 ocorrências a menos.
Os dados também apontam que junho registrou 108 feminicídios, o menor total mensal do primeiro semestre deste ano. O monitoramento identificou ainda uma diminuição dos casos quando comparados os períodos de janeiro a março e de abril a junho, com redução de 59 registros na segunda metade do semestre.
O ministro Wellington Lima e Silva destacou que os resultados apresentados refletem a atuação coordenada entre União, estados, Distrito Federal e municípios. Segundo ele, o enfrentamento à violência contra as mulheres depende da integração entre diferentes instituições e do compartilhamento de informações para ampliar a efetividade das políticas públicas.
“O grau de assimilação dessa iniciativa demonstra o comprometimento dos diferentes níveis de governo. Trata-se de uma política transversal. Nossa diretriz é dialogar com todos os poderes e incentivar a participação dos estados e municípios“, afirmou o ministro.
Wellington Lima também ressaltou a importância do Centro Integrado Mulher Segura na produção e no cruzamento de dados sobre violência de gênero. De acordo com ele, a consolidação das informações permite enfrentar um dos principais desafios das políticas públicas nessa área: a subnotificação dos casos.
Segundo o ministro, o monitoramento integrado possibilita identificar padrões de violência, orientar ações preventivas e fortalecer medidas de proteção às vítimas de tentativa de feminicídio. Ele afirmou ainda que a adoção de providências como prisões em flagrante e o acompanhamento das medidas protetivas no mesmo dia contribuíram para a redução de 2,5% nos registros de feminicídio observada no primeiro semestre deste ano.
Janja defende a ampliação das redes de acolhimento

A primeira-dama Janja Lula da Silva defendeu a ampliação das redes de acolhimento e destacou que o combate à violência contra as mulheres não pode ficar restrito às forças de segurança pública. Para ela, outras políticas públicas também exercem papel relevante na identificação e no atendimento das vítimas.
“Nós sabemos que os órgãos de segurança são as principais portas de entrada para os casos de violência. Mas existem outros espaços, como os serviços de saúde, os centros de referência e as escolas. O objetivo é integrar cada vez mais essas informações para proteger as mulheres brasileiras“, afirmou.
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Janja também avaliou que a redução dos casos de feminicídio registrada pelo monitoramento demonstra avanços nas políticas públicas voltadas à proteção das mulheres, mas ressaltou que o tema precisa permanecer no centro do debate público. Ela defendeu ainda a participação dos homens nas discussões sobre prevenção da violência de gênero.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, afirmou que o Centro Integrado Mulher Segura representa uma estratégia baseada na atuação conjunta entre diferentes esferas do poder público. Segundo ela, o enfrentamento da violência exige coordenação permanente entre União, estados, Distrito Federal e municípios para reduzir desigualdades no acesso aos serviços de proteção e garantir respostas mais rápidas às vítimas.
O Centro Integrado Mulher Segura foi inaugurado em março de 2026
Inaugurado em março de 2026, o Centro Integrado Mulher Segura reúne equipes dedicadas à inteligência, ao monitoramento e à análise de dados relacionados à violência de gênero e feminicídio. As informações produzidas pelo CIMS subsidiam políticas públicas voltadas tanto à prevenção quanto à repressão dos crimes praticados contra mulheres em todo o território nacional.
O centro utiliza informações provenientes do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp VDE) e de outros bancos de dados para acompanhar indicadores, identificar áreas de maior vulnerabilidade e apoiar a formulação de estratégias integradas entre os diferentes órgãos públicos.