A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, admitiu que informações no currículo sobre sua formação acadêmica divulgadas em páginas oficiais do Senado e da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) continham erros.
Os perfis de Flávio, filho mais velho de Jair Bolsonaro, afirmavam que ele possuía pós-graduação em Ciências Políticas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) — curso que, segundo a própria universidade, ele nunca realizou.
Em nota, a assessoria de Flávio classificou o ocorrido como “erros ou equívocos, possivelmente extraídos de páginas como a Wikipedia”. A equipe afirmou que o senador é graduado em Direito pela Universidade Cândido Mendes, tem pós-graduação em Políticas Públicas pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) e MBA em Empreendedorismo pela FGV.
A campanha enviou diplomas digitalizados que comprovam essas três titulações, mas não apresentou qualquer documento referente à pós-graduação em Ciências Políticas pela UFRJ.
A informação falsa sobre o currículo de Flávio Bolsonaro currículo estava presente em múltiplos canais: na página da Alerj, no site da Agência Senado (desde janeiro de 2019), na Wikipedia e em um perfil do LinkedIn da assessoria, que foi retirado do ar.
A Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) afirmou não ter registro de que o senador tenha estudado na instituição.
Bolsonaristas gostam de mentir no currículo
Não é a primeira vez que um bolsonarista é pego, no mínimo, mentindo nos cursos listados na formação acadêmica. O ministro da Educação indicado por Bolsonaro também mentiu no currículo
O episódio envolvendo Flávio Bolsonaro não é um caso isolado na órbita do ex-presidente. Em 2020, Jair Bolsonaro anunciou o economista Carlos Alberto Decotelli para o Ministério da Educação — nomeação que durou apenas dias e não chegou a ser empossada. O motivo foi uma série de informações falsas descobertas no currículo do professor.
A principal inconsistência veio da Universidade Nacional de Rosário, na Argentina. O reitor da instituição afirmou que Decotelli nunca concluiu o doutorado e que sua tese foi reprovada pela banca examinadora. O então ministro indicado havia cursado o programa, mas não obteve o título.
Outra falsidade: a Universidade de Wuppertal, na Alemanha, informou que ele não fez pós-doutorado na instituição, como constava em seu currículo.
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O caso se agravou com denúncias de plágio na dissertação de mestrado apresentada em 2008 na Fundação Getulio Vargas (FGV), o que levou a instituição a abrir apuração. Além disso, reportagem apontou que Decotelli se apresentava como “Oficial da Reserva da Marinha”, mas na realidade pertencia à reserva de Segunda Classe — categoria que indica ingresso sem concurso para serviço militar temporário.
Diante do desgaste, Bolsonaro reconheceu publicamente que o indicado “errou nas informações prestadas sobre o currículo”. Decotelli apresentou sua carta de demissão antes mesmo de tomar posse. O caso se tornou um dos exemplos mais emblemáticos de problemas curriculares em altos escalões do governo Bolsonaro, ao lado de outras pastas como a ministra Damares Alves e o ministro Ricardo Salles, que também enfrentaram suspeitas semelhantes
Pega na mentira II: Flávio Bolsonaro pediu dinheiro a Vorcaro para financiar filme do pai, mas antes disse que tudo era mentira
Não é a primeira vez que o senador tem sua palavra colocada em xeque. Em maio de 2026, o The Intercept Brasil publicou áudios e mensagens que revelaram a negociação direta entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, para financiar o filme “Dark Horse” — cinebiografia sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O senador Flávio Bolsonaro encerrou abruptamente a entrevista coletiva em 13 de maio de 2026, no Supremo Tribunal Federal (STF), após ser questionado por um repórter do The Intercept Brasil sobre áudios vazados que revelavam pedidos de financiamento milionário ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio negou o fato e acusou o repórter de militante.
Inicialmente, ao ser questionado sobre o pedido de recursos, Flávio Bolsonaro negou categoricamente. “É mentira, de onde você tirou isso? É mentira”, declarou o senador. As gravações, porém, mostraram o parlamentar em diálogo direto com Vorcaro.
Horas depois, teve de gravar vídeo para tentar explicar os áudios do pedido de dinheiro para o dono do Master.
Em 16 de novembro de 2025, Flávio enviou ao banqueiro a seguinte mensagem: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.

O escândalo ganhou contornos mais graves quando, um dia depois, Vorcaro foi preso enquanto tentava fugir do país por operar um esquema de fraude que gerou um rombo de R$ 47 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito.
O senador, que antes negava qualquer pedido de dinheiro, viu sua versão desmoronar com a publicação dos áudios e documentos.
Conheça alguns fatos do currículo de Flávio Bolsonaro
A trajetória política do senador, que tenta se eleger presidente em 2026, é marcada por episódios que vão além das polêmicas recentes. Reunidos pelo site do PT, os seguintes fatos ajudam a compor o retrato do pré-candidato:
- Pedido de dinheiro a Daniel Vorcaro — Flávio Bolsonaro negociou com o banqueiro do Banco Master o financiamento do filme sobre o pai, em valores que chegaram a R$ 61 milhões.
- Honraria a Adriano Nóbrega — Flávio concedeu uma comenda Adriano Nóbrega, figura ligada a milícias no Rio de Janeiro.
- Eleito deputado estadual aos 21 anos — Iniciou a carreira política em 2002, beneficiado pelo sobrenome do pai, que na época era deputado federal.
- Senador desde 2019 — Assumiu o mandato no Senado após quatro mandatos como deputado estadual no Rio de Janeiro.
- Suspeitas de “rachadinhas” — Flávio é alvo de denúncias e suspeitas sobre desvio de salários de funcionários de seu gabinete quando era deputado estadual.
- Viagem aos EUA e troca de cartas com Marco Rubio — O senador manteve contato com o secretário de Estado americano em meio à imposição do tarifaço contra o Brasil.
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