O que aconteceu nos debates para governador

Primeiro confronto paulista teve embates sobre segurança, economia, privatizações e governo federal; outros estados também registraram ataques e ausências
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Debate de governadores do Estado de São Paulo na Band – Reprodução/Bandeirantes

O primeiro debate entre candidatos aos governos estaduais, realizado pela Band neste domingo (9), foi marcado por confrontos sobre segurança pública, economia, privatizações, alianças políticas e avaliação das administrações. Leia em TVT News.

Em São Paulo, o encontro entre o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, e o ex-ministro Fernando Haddad (PT) concentrou as atenções e assumiu contornos de disputa nacional, com referências ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao tarifaço dos Estados Unidos e à atuação de facções criminosas.

O debate paulista foi o primeiro confronto direto entre Tarcísio e Haddad depois da oficialização das candidaturas. Como os demais postulantes ao governo não participaram do encontro, os dois tiveram amplo espaço para confrontar propostas e apresentar diferentes avaliações sobre os governos estadual e federal.

A dinâmica foi dividida em blocos de perguntas e confrontos diretos. No primeiro e no terceiro blocos, os candidatos tiveram 20 minutos para administrar livremente seus tempos em embates entre si. No segundo, jornalistas do Grupo Bandeirantes fizeram perguntas aos dois. Ao final, cada candidato teve dois minutos para suas considerações finais. Não houve pedidos de direito de resposta.

Segurança pública vira um dos principais pontos de confronto em São Paulo

A segurança pública esteve entre os temas mais disputados durante o debate. Haddad criticou os resultados da política de segurança do governo Tarcísio e mencionou o aumento de 10% nos registros de feminicídio no estado no primeiro semestre deste ano, na comparação com o mesmo período de 2025. O petista também questionou a atuação do governo diante da presença de organizações criminosas em São Paulo.

Tarcísio, por sua vez, defendeu as ações de sua administração e destacou a redução dos índices de homicídios no estado. O governador citou operações realizadas em conjunto com o Ministério Público e apresentou como resultado de sua gestão a redução de indicadores de violência.

Os dois também entraram em confronto ao discutir a atuação do ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite e a situação do crime organizado. Tarcísio defendeu a política adotada pelo estado, enquanto Haddad cobrou responsabilidades do governo diante da atuação de facções.

Tarcísio se gaba ao mencionar a desocupação do Moinho, mas ele escondeu a violência que foi esse processo

A disputa passou ainda pela Favela do Moinho, na região central da capital paulista. Tarcísio defendeu a desocupação da área e afirmou que seu governo teve disposição para enfrentar o problema do tráfico no local.

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Everson é ator e morava no Moinho, filho da Cintia que tinha uma padaria na favela. Na época, trabalhava no Sesc Bom Retiro. No dia anterior a foto, Everson levou um tiro de bala de borracha da polícia dentro da favela durante seu horário de almoço do trabalho (14 de maio de 2025) – Foto: Emanuela Godoy/TVT News
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Cerco da Tropa de Choque da Polícia do Tarcísio em 14 de maio de 2025 causando pânico nos moradores e proibindo a entrada de jornalistas – Foto: Emanuela Godoy/TVT News
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Cerco da Tropa de Choque da Polícia do Tarcísio em 14 de maio de 2025 com as crianças voltando da aula – Foto: Emanuela Godoy/TVT News

A desocupação da Favela do Moinho, no entanto, passou por uma série de polêmicas. Inicialmente, Tarcísio queria remover as pessoas do local sem oferecer uma nova moradia para as famílias, muitas das quais tinham comércios na região, como padarias, e dependiam da favela para ter uma renda.

Com forte atuação da sua polícia, intimidando, agredindo e cercando a entrada da favela, a desocupação do Moinho passou por uma série de violências, forçando com que a população fosse dali deslocada de forma forçada.

Lula interveio com o governo federal e prometeu moradia para a população que restava no Moinho depois de meses de intimidação da polícia de Tarcísio, mas até hoje ainda existem famílias na região vivendo entre escombros. O que Tarcísio se orgulha foi ter vendido o centro para a especulação imbiliária e ter expulsado os pobres do centros. Famílias como a de Dona Zefa, uma das primeiras a deixar o local, fecharam financiamentos de imóveis em Itaquera.

Tarcísio também mencionou uma fotografia de Haddad ao lado da líder comunitária do Moinho, que está presa preventivamente por ter sido acusada de estar ligada ao tráfico. O petista reagiu e questionou por que Tarcísio não teria realizado a prisão caso já tivesse conhecimento da suposta ligação.

Economia coloca governos estadual e federal em lados opostos

A economia também foi utilizada pelos candidatos para estabelecer diferenças entre seus projetos. Tarcísio questionou a atuação de Haddad quando esteve à frente do Ministério da Fazenda durante o governo Lula e criticou indicadores como crescimento, investimentos e produtividade.

Haddad respondeu defendendo os resultados econômicos do governo federal. O ex-ministro citou a inflação acumulada, a taxa de desemprego e o crescimento econômico para argumentar que o desempenho da administração federal é superior ao registrado durante os governos de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

O confronto continuou quando os dois passaram a apresentar números diferentes sobre investimentos realizados em São Paulo. Haddad citou informações de órgãos de controle e dados publicados pelo jornal Valor Econômico para questionar os resultados apresentados pelo governador.

Tarcísio contestou os números e ironizou o adversário, afirmando que Haddad teria dificuldade com matemática. Em outro momento, provocou o petista com a frase: “Você trouxe cola, eu não trouxe cola”, em referência aos dados utilizados durante o debate.

Haddad também acusou o governador de apresentar números de maneira a induzir o eleitor ao erro. Nas considerações finais, afirmou que Tarcísio deveria reconhecer eventuais problemas da administração estadual em vez de tentar escapar das questões apresentadas durante o confronto.

Privatizações entram na disputa pelo modelo de Estado

Outro ponto de divergência foi a política de privatizações adotada pelo governo paulista. Haddad questionou a venda da Sabesp e a transferência da operação de linhas de trem para empresas privadas.

Tarcísio defendeu as medidas e argumentou que a participação privada pode ampliar a capacidade de investimento e melhorar a eficiência dos serviços. A discussão colocou no centro do debate duas visões diferentes sobre a atuação do poder público na prestação de serviços essenciais.

A disputa sobre privatizações também serviu para Haddad apresentar uma crítica mais ampla ao modelo de gestão adotado pelo atual governo paulista, enquanto Tarcísio buscou defender as medidas como parte de uma estratégia de modernização da infraestrutura estadual.

Jair Bolsonaro e Lula no centro do debate

Apesar de tratar de temas estaduais, o encontro foi marcado pela presença constante da política nacional. Haddad associou Tarcísio ao ex-presidente Jair Bolsonaro e buscou apresentar a eleição paulista como parte da disputa política entre os campos liderados por Lula e Bolsonaro.

Inicialmente, Tarcísio evitou seguir o mesmo caminho, mas posteriormente passou a fazer referências mais diretas ao ex-presidente e a criticar o governo federal. O governador também defendeu sua gestão e procurou apresentar diferenças entre as administrações estadual e federal.

A relação com Bolsonaro apareceu ainda nas considerações finais. Tarcísio destacou o apoio recebido do ex-presidente, enquanto a disputa nacional serviu como pano de fundo para diferentes críticas feitas ao governo Lula.

O tarifaço anunciado pelo governo de Donald Trump contra produtos brasileiros também entrou no debate. O tema foi usado pelos candidatos para discutir economia e relações entre Brasil e Estados Unidos, ampliando a dimensão nacional do confronto.

Eduardo Paes não compareceu no debate do Rio de Janeiro

A rodada promovida pela Band ocorreu em diversos estados e no Distrito Federal. Em alguns locais, porém, candidatos que aparecem em posições de destaque nas pesquisas não participaram dos encontros.

No Rio de Janeiro, o atual prefeito Eduardo Paes (PSD), apontado como líder nas pesquisas, não compareceu. A ausência abriu espaço para críticas dos demais candidatos e fez com que a segurança pública dominasse parte do debate.

Participaram Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL) e André Marinho (Novo). Ruas foi questionado por William Siri sobre sua relação política com Rodrigo Bacellar, deputado estadual cassado e preso sob suspeita de ligação com organização criminosa. Ruas negou ser representante de qualquer político e afirmou ter trajetória própria.

Garotinho também entrou no confronto sobre apoios políticos. Ao comentar os ataques entre os adversários, declarou que aceitaria apoio de qualquer pessoa, inclusive do traficante Fernandinho Beira-Mar, ressalvando que isso não significaria deixar de combatê-lo.

Ciro e Elmano trocam acusações no Ceará

No Ceará, o governador Elmano de Freitas (PT) e Ciro Gomes (PSDB) protagonizaram o principal confronto. O candidato Pedro Brito (Novo) não participou.

Elmano tentou associar Ciro ao campo político ligado a Jair Bolsonaro, mencionando a aproximação do tucano com setores da direita. O governador afirmou que Ciro estaria alinhado a grupos ligados ao bolsonarismo.

Ciro rejeitou a associação e afirmou que representa uma alternativa política própria. O ex-governador também reclamou do tom utilizado pelo adversário e disse que sua trajetória política não poderia ser reduzida à relação com outros candidatos.

Ausência de Sergio Moro marca debate no Paraná

No Paraná, o senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo estadual, não participou do debate. A ausência foi criticada pelos adversários Requião Filho (PDT) e Sandro Alex (PSD).

Moro comunicou que não participaria apenas duas horas antes do início do programa. Segundo ele, o formato poderia transformar o encontro em uma “rinha de galo”. A declaração foi utilizada pelos adversários para questionar sua disposição de participar de confrontos públicos durante a campanha.

O episódio foi semelhante ao registrado em outros estados, nos quais candidatos que aparecem em posições de destaque nas pesquisas decidiram não participar dos debates.

Distrito Federal tem crise do BRB entre os principais temas

No Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP) participou do debate e foi alvo de críticas relacionadas à sua participação na gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) e às discussões envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master.

Ricardo Cappelli (PSB) afirmou ter solicitado uma audiência pública com o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para discutir com servidores do BRB os impactos de um acordo envolvendo a instituição financeira.

José Roberto Arruda (PSD) também questionou Celina Leão e provocou a governadora sobre sua candidatura e sua atuação política.

A segurança pública foi outro assunto presente no debate. Celina defendeu os indicadores do Distrito Federal e afirmou que a região apresenta baixos índices de letalidade policial.

Segurança também domina debate em Goiás

Em Goiás, a segurança pública apareceu novamente entre os principais assuntos. Wilder Morais (PL) apresentou propostas relacionadas ao combate ao crime organizado e às facções criminosas.

O candidato defendeu que organizações como o PCC sejam tratadas como grupos terroristas e propôs premiações para policiais responsáveis por grandes apreensões de drogas. Também mencionou a continuidade da construção da Casa da Mulher.

Marconi Perillo (PSDB), por sua vez, defendeu investimentos em batalhões especializados, como a Rotam e o Comando de Divisas, além de medidas de valorização dos policiais.

O candidato Daniel Vilela (MDB), que aparece entre os nomes de destaque na disputa, não participou do debate.

Outros estados

No Maranhão, o candidato Eduardo Braide (PSD) não compareceu ao debate. No Rio Grande do Norte, Álvaro Dias (PL) também não utilizou seu espaço para defender a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

No Amazonas, Maria do Carmo (PL) foi uma das exceções entre os candidatos aliados ao partido que fizeram referência à família Bolsonaro. Em vez de mencionar diretamente Flávio, ela afirmou ter apoio da “família Bolsonaro”.

No Rio Grande do Sul, candidatos também participaram do confronto promovido pela Band, enquanto a rodada de debates alcançou ainda a Bahia.

Em Minas Gerais, o debate foi adiado para o dia 16 de agosto em razão de negociações relacionadas às coligações e à organização do encontro entre a emissora e os partidos.

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